A Reforma Tributária já virou um dos assuntos mais comentados no mundo empresarial. E, junto com ela, veio uma dúvida muito comum entre micro e pequenos empresários: “minha empresa é do Simples Nacional, eu preciso me preocupar com isso?”
A resposta direta é: sim, precisa se preocupar. Mas calma, isso não significa entrar em pânico, abrir 37 abas no navegador e achar que o DAS vai virar um monstro de sete cabeças.
O Simples Nacional continua existindo. A Reforma Tributária não acabou com esse regime. No entanto, ela trouxe mudanças importantes na forma como empresas do Simples podem se relacionar com os novos tributos sobre consumo, principalmente o IBS e a CBS.
Na prática, isso significa que o empresário precisa entender como essas novas regras podem afetar sua tributação, seus preços, seus clientes, seus fornecedores e até sua competitividade no mercado.
Por isso, neste artigo, você vai entender como a Reforma Tributária se conecta com o Simples Nacional, quais pontos merecem atenção e por que esse assunto precisa entrar no planejamento da sua empresa desde agora.
A Reforma Tributária sobre o consumo criou um novo modelo de cobrança de tributos no Brasil. A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo, que fazem parte da nova estrutura tributária do país.
De forma resumida, a CBS será um tributo federal e substituirá PIS e Cofins. Já o IBS será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios, substituindo ICMS e ISS ao longo do período de transição.
A proposta busca simplificar o sistema tributário, reduzir conflitos entre regras diferentes e tornar a cobrança dos impostos sobre consumo mais transparente. Porém, como toda mudança grande, a transição exige cuidado.
Isso acontece porque as empresas não vão acordar em um dia com tudo funcionando de forma nova. O processo será gradual, com fases de teste, adaptação e substituição progressiva dos tributos atuais.
E é justamente nesse período de transição que as empresas do Simples Nacional precisam prestar atenção.
Não. O Simples Nacional não vai acabar com a Reforma Tributária.
Esse é um ponto importante, porque muita informação circula de forma confusa. O regime simplificado continua existindo e segue como uma opção relevante para microempresas e empresas de pequeno porte.
No entanto, o fato de o Simples continuar existindo não significa que nada muda. A Reforma cria novas possibilidades e novas decisões para empresas desse regime, principalmente em relação ao IBS e à CBS.
Ou seja: o empresário do Simples não precisa achar que perdeu o regime, mas também não deve ignorar a Reforma como se ela fosse um problema apenas para empresas do Lucro Presumido ou Lucro Real.
A mudança pode afetar a estratégia tributária e comercial da empresa, mesmo que ela continue pagando tributos dentro do Simples Nacional.
Com a Reforma Tributária, empresas do Simples Nacional poderão manter o recolhimento dos tributos dentro do regime simplificado ou, em determinadas situações, optar pelo regime regular apenas em relação ao IBS e à CBS. A Receita Federal, em material de apoio de maio de 2026, explica essa possibilidade como uma escolha entre manter o sistema atual ou recolher/remeter IBS e CBS pelo regime regular.
Na prática, isso significa que o empresário precisará avaliar qual modelo faz mais sentido para sua realidade.
Para algumas empresas, continuar integralmente no Simples pode ser o caminho mais simples e vantajoso. Para outras, principalmente aquelas que vendem para outras empresas, pode fazer sentido analisar se o regime regular de IBS e CBS traz alguma vantagem competitiva.
Isso acontece porque os créditos tributários ganham um peso maior no novo modelo. Empresas que compram de fornecedores querem entender se conseguirão aproveitar créditos na cadeia. Portanto, a forma como a empresa do Simples trata IBS e CBS pode influenciar a relação comercial com clientes B2B.
É aqui que o assunto deixa de ser apenas “quanto eu pago de imposto” e passa a envolver estratégia de mercado.
Empresas do Simples Nacional que vendem diretamente para consumidor final podem sentir os impactos de uma forma. Já empresas que vendem para outras pessoas jurídicas podem sentir de outra.
Isso acontece porque, no novo sistema, os créditos de IBS e CBS terão papel importante na cadeia de consumo. Segundo material da Receita Federal sobre o IVA Dual, quando empresas do Simples fornecem bens ou serviços a outras companhias, os compradores poderão reivindicar créditos de imposto sobre insumos no mesmo valor do imposto cobrado.
Ainda assim, a decisão precisa passar por análise. O empresário não deve escolher um caminho apenas porque “parece melhor” ou porque ouviu alguém comentar sobre crédito tributário.
Cada empresa tem uma realidade. É necessário olhar para faturamento, margem de lucro, tipo de cliente, segmento, cadeia de fornecedores, precificação e impacto no caixa.
Por exemplo: uma empresa prestadora de serviços que atende majoritariamente pessoas físicas pode ter uma análise diferente de uma empresa que presta serviços para grandes companhias. Da mesma forma, um comércio que vende para consumidor final pode ter uma realidade diferente de um fornecedor B2B.
Por isso, o ponto central é entender que a Reforma Tributária não impacta todas as empresas do Simples do mesmo jeito.
Sim, esse é um ponto muito importante para 2026.
O Comitê Gestor do Simples Nacional definiu que a opção pelo Simples Nacional para o ano de 2027 deverá ocorrer entre 1º de setembro de 2026 e 30 de setembro de 2026. Mesmo com a escolha em setembro, o regime passa a valer em 1º de janeiro de 2027. A notícia oficial também informa que, com a Reforma Tributária sobre o Consumo, a opção não ocorrerá mais em janeiro para esse período.
Na prática, isso muda a rotina de planejamento do empresário.
Antes, muitas empresas deixavam essa decisão para janeiro. Agora, a análise precisa acontecer antes. Isso exige organização, revisão de dados e acompanhamento com a contabilidade.
Portanto, quem deixar para pensar no assunto apenas no começo de 2027 pode perder prazo ou tomar uma decisão com pouca informação.
E quando falamos de regime tributário, decidir correndo raramente combina com economia.
O DAS continua sendo um ponto importante para empresas do Simples Nacional. Porém, com a Reforma Tributária, o empresário precisa entender que alguns componentes ligados à tributação sobre consumo passarão por transição.
O ponto mais importante é: não basta olhar apenas para o valor final do DAS. A empresa precisa entender como IBS e CBS entram na estratégia tributária, como funcionam os créditos e como a escolha do regime pode afetar clientes e fornecedores.
Além disso, o empresário deve acompanhar as mudanças nos sistemas, nas notas fiscais e nos cadastros fiscais. Mesmo que a empresa permaneça no Simples, a rotina operacional pode exigir ajustes.
Portanto, a pergunta não deve ser apenas “vou pagar mais ou menos imposto?”. A pergunta correta é: “qual modelo deixa minha empresa mais segura, competitiva e preparada para crescer?”
Toda empresa do Simples Nacional precisa acompanhar a Reforma Tributária. Porém, algumas precisam olhar com mais atenção.
Empresas que vendem para outras empresas devem analisar os impactos dos créditos tributários. Empresas com margens apertadas precisam revisar a precificação. Negócios com muitos fornecedores devem entender como a cadeia de compras pode afetar seus custos. Prestadores de serviço precisam avaliar se o modelo atual continuará fazendo sentido.
Além disso, empresas em crescimento precisam redobrar o cuidado. Às vezes, o Simples Nacional parece vantajoso no começo, mas deixa de ser a melhor escolha conforme o faturamento, a estrutura e os clientes mudam.
Por isso, a Reforma Tributária reforça algo que a WeDo sempre fala: regime tributário não deve ser escolhido no automático.
A empresa precisa analisar números, operação e estratégia.
A primeira atitude é não deixar esse assunto para depois. Mesmo que a transição aconteça aos poucos, o planejamento precisa começar antes.
O empresário deve revisar o cadastro de produtos e serviços, acompanhar o perfil dos clientes, analisar fornecedores, entender a margem de lucro e revisar a formação de preços.
Além disso, a empresa precisa organizar informações financeiras e contábeis. Sem dados claros, qualquer análise tributária fica fraca.
Outro ponto importante é conversar com a contabilidade. A Reforma Tributária envolve detalhes técnicos, mas o impacto aparece na vida prática da empresa: preço, caixa, competitividade, contratos e tomada de decisão.
Por isso, o acompanhamento consultivo faz tanta diferença. Ele ajuda o empresário a transformar regra tributária em estratégia de negócio.
Sim, sua empresa precisa se preocupar. Mas preocupação aqui não significa medo. Significa atenção, planejamento e ação.
A Reforma Tributária não deve assustar o empresário do Simples Nacional, mas também não deve ser ignorada.
O Simples continua existindo, mas a empresa precisará avaliar escolhas, prazos e impactos. Em alguns casos, a melhor decisão será permanecer no formato simplificado. Em outros, talvez faça sentido estudar alternativas relacionadas ao IBS e à CBS.
O mais importante é não decidir no escuro.
Empresas que acompanharem esse processo desde agora terão mais segurança para se adaptar. Já aquelas que deixarem tudo para a última hora podem enfrentar dificuldade com prazo, preço, sistema, caixa e relacionamento comercial.
A Reforma Tributária não acaba com o Simples Nacional, mas muda a forma como micro e pequenas empresas devem olhar para sua tributação.
Com a chegada do IBS e da CBS, o empresário precisa entender como esses tributos podem afetar sua rotina, seus créditos, sua precificação, seus clientes e sua competitividade.
Além disso, a mudança no prazo de opção para 2027 reforça a importância de planejamento. A escolha pelo Simples Nacional não deve acontecer no impulso, e sim com base em dados, projeções e análise da realidade da empresa.
No fim das contas, a empresa do Simples Nacional precisa se preocupar, sim. Mas com o acompanhamento certo, essa preocupação vira planejamento estratégico.
A WeDo Contabilidade acompanha de perto as mudanças da Reforma Tributária para ajudar empresários a tomarem decisões mais seguras, inteligentes e alinhadas ao crescimento do negócio. Além do atendimento digital, a WeDo também possui escritório físico na Fradique Coutinho, em Pinheiros, para estar perto dos empresários que buscam uma contabilidade moderna, consultiva e parceira de verdade.

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